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 artigobrasilia

 O voto de cada estado definirá o voto nacional e não o contrário. Há uma mudança em curso no eleitor brasileiro.

As últimas semanas mostraram as entranhas do rei que já estava, há muito tempo, nu. Entre o escândalo do Banco Master e novas revelações do caso Epstein, que parecem entrelaçados, o Brasil segue sem piloto, com as “instituições democráticas” apodrecidas e corrompidas, e seus componentes agindo como se não tivessem qualquer limite e fossem donos do país.

Estude como funciona uma máfia e você terá a descrição do que é Brasília em 2026, onde criminosos engravatados e togados sustentam seus crimes incriminando quem os descobre e denuncia. Onde ninguém pode falar de ninguém quando todos sabem os podres de todos. Onde a queda de um pode ser a queda de todos, e onde eles se sustentam pela certeza da impunidade, pela manutenção da ditadura e pelo uso do poder para continuarem assaltando a nação, de uma forma ou de outra, na agenda oficial ou não oficial, pelos impostos ou pelas alianças com banqueiros, pelo boicote ao agro, à exploração do petróleo e a tudo que possa tirar o país dessa lama.

A massa de miseráveis aumenta, mas estes são contados como empregados pelos números encomendados do IBGE. Ganhar mais de cinco mil é ser playboy, e uma população analfabeta comemora o vale-gás e se orgulha de mendigar algo que não sabe que tem em excesso em seu solo.

Esse cenário, que mais parece um filme de terror, foi um plano orquestrado. Ou ele deve virar uma página do passado, ou se perpetuar, fazendo da nação um grande fazendão da China.

As peças do jogo estão na mesa e, nessa altura do campeonato, dá para saber quem são os algozes que preferem implodir seu país a render-se. Mas fica a pergunta: o país vai render-se a eles ou seguirá apesar deles?

Em ano eleitoral, sempre há aquele fio de esperança de alguma mudança. Depois de 2022, com uma corte parcial e corrupta não apenas descondenando, mas elegendo o maior ladrão da história do Brasil, senão do mundo, grande parte sequer acredita que as urnas irão refletir a realidade da vontade popular. Outros acreditam que o dinheiro seguirá definindo os caminhos, e ainda há aqueles que querem ver o país dar certo e, estes, estão em seus estados e cidades, em busca de alternativas e estratégias para seguirem em frente sem perder a esperança.

Eis onde o país pode dar uma guinada: através da mudança em cada estado. Conclusão óbvia, mas muito ignorada quando o debate se torna nacional, quando se discute Brasília sem discutir sua rua, seu bairro, sua cidade, seu estado, sem pensar nas opções de eleger um Congresso e um Senado que prestem e se prestem a trabalhar e fazer o que são muito bem pagos para fazer. A visão de olhar para dentro pode salvar o que está fora. A missão de renovar assembleias legislativas pode ser tão importante quanto eleger um presidente. O Brasil precisa olhar mais para si e menos para Brasília. Se o país se resume ao que acontece lá, ele vai sucumbir. Mas, se cada estado olhar para si como parte importante do Brasil que sonhamos construir, o chamamento ao voto regional e consciente pode significar a verdadeira transformação. Afinal, a presidência é a cereja do bolo e, com instituições corrompidas, poderes aparelhados e imprensa vendida, nem o melhor presidente do mundo governa.

Por causa desse quadro, que é real, e da experiência vivida em quatro anos de Bolsonaro seguidos de quatro anos de Lula, a tendência é que os brasileiros façam um esforço maior para mudar seus estados do que para tentar mudar o Brasil.

Por conta disso, alianças estão confusas, pontas estão soltas e parece que o que funcionou um dia hoje está obsoleto. O eleitor vota na pessoa e não mais no partido. O eleitor sabe quem é quem e, com um pouco de conhecimento, discerne ou pesquisa antes de votar. O pavor dos maus é a internet, que se tornou a memória que, no caso do brasileiro, sempre falhou.

Os candidatos ao governo de cada estado sabem que não há mais o peso de antes quanto a fechar com candidatos à presidência. Pois Brasília está tomada pelo crime e ameaças, inclusive da esquerda nunca sair do poder usando meios dos mais vis, não são descartadas. Lula x Bolsonaro, sendo eles mesmos ou seus indicados os candidatos, têm um eleitorado ideológico que não se altera. Há uma coluna do meio capaz de se eximir da responsabilidade como Pilatos, lavando as mãos. Mas quem é Bolsonaro não deixará de ser, e quem é Lula não deixará de ser. Os que transitam não podem ser considerados Lula ou Bolsonaro. Nesse contexto, o que fazer em seu estado? O que desejar da política mais próxima de você, mais palpável?

Aliar-se a um ou a outro não é mais uma estratégia que garante vitória, pois o povo já consegue fazer a diferença e decidir o que é melhor para si independentemente de um pacote pronto vindo de Brasília.

Quando fui candidata a vereadora, precisava de míseros cinco mil votos. Na minha cidade, Bolsonaro havia conseguido 113 mil votos, sendo o mais votado. Mesmo assim, isso não foi capaz de eleger uma nominata com 13 candidatos bolsonaristas que, juntos, não alcançaram cinco mil votos. Isso não é apenas uma vergonha, mas é um sinal, uma lição, uma direção. Em alguns estados, mais do que em outros, especialmente os estados mais pobres e menos desenvolvidos, pode ser que uma maioria vote em Bolsonaro, mas não queira votar em seus aliados somente por serem aliados. É preciso muito mais do que isso, ainda mais quando muitos candidatos foram eleitos no passado usando apenas o nome de Bolsonaro sem honrar os valores e princípios por ele pregados e vividos. É preciso fazer sentido para a população, é preciso uma estrada construída com o povo, muito mais do que uma foto ao lado dele.

A política é uma ciência que, na maioria do tempo, não é exata, porque é intrinsecamente de relacionamento, feita por gente com gente e para gente, e os candidatos ao governo precisam da maioria dos votos para serem eleitos. Eles não podem e não vão desperdiçar votos de eleitores lulistas e de eleitores bolsonaristas. Cabe à população votar e eleger quem faz sentido para ela, quem construiu uma trajetória de valores e princípios, de respeito e de trabalho. Candidatos nos estados não querem a polarização porque ela esbarra não apenas no respeito ao voto de cada um em nível nacional, mas principalmente naquilo que pode se tornar o pleito nacional diante de uma Brasília numa lama envolvendo quem tem poder e quem tem poder para tirar e manter quem tem poder.

Vamos cuidar do nosso quintal como se ele fosse a nossa casa toda. Vamos escolher nossos legisladores e governadores com consciência, porque a casa inteira precisa ser limpa, começando pelo nosso quintal.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

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