baton
 Um país governado por um condenado em três instâncias assistiu a condenação de uma cabaleira por causa de um baton

Mais uma semana "normal" no Brasil e, como nada mais importa a não ser o que cada um pensa, inventa, cria, eu resolvi criar a palavra polijustiça. Poli é um prefixo que significa "múltiplos". Com base nesse significado, seria a múltipla justiça, aquela que julga conforme a encomenda, aquela que decide conforme o réu. Aquela que o juíz é, ao mesmo tempo a vítima, a acusação, a testemunha. Aquela que transforma um baton em um tanque de guerra.

Mas eu também pensei na palavra poli porque queria encontrar um termo que descrevesse o casamento indissolúvel da política com justiça que abalou, definitivamente a democracia brasileira já despombalecida, reconhecida como relativa por quem foi tirado da cadeia direto para a presidência.  Afinal, faz tempo que o STF usurpou o papel de legislar. Já até tirou poderes do executivo quando não ia com a cara do presidente, daqui a pouco assume a bancada dos jornais globais também. Então, para ficar bem fiel ao que desejo descrever, esse novo termo significa múltipla política judicial. Ela pode tudo, faz tudo, é "bombril" e basea-se nas suas preferências políticas. 

Quando a lei não conta, o tribunal faz mais vítimas do que faria uma guerra, já que não há como resistir, reagir, sobreviver, fugir, atacar, defender-se dele. É uma guerra desigual, uma luta covarde com disparidade de armas. Mas isso não é o pior. As vítimas dessa polijustiça são as que sustentam seus algozes com caviar e vinhos caros, com salários astronômicos e mordomia só concedida a reis. A tragédia é como aquela de um filho que é abusado pelo pai que ele sustenta e confia. Somos uma multidão de filhos sacrificados pelo Estado, que agora se resume no judiciário,  que se considera um deus, e que abusa dos filhos sem dó e nem piedade, enquanto discursa que está salvando a democracia. Massacra pessoas reais, enquanto diz ser salvador de uma palavra que está cada dia mais abstrata, e que significa qualquer coisa, inclusive nada. 

Um legislativo que prevarica ao aceitar passivamente esses abusos, tornando essa prática cada vez mais "legal" e legitimada por uma imprensa chapa-branca que recebe mensagens de ministros pelo whatsapp na apresentação do jornal ao vivo, enquanto um executivo faz o que mais sabe fazer: destruir a nossa economia, usar as estatais para desvio de dinheiro público, aumentar impostos, maquiar dados. Não existiria polijustiça sem esses atores coadjuvantes. Mas eles só estão onde estão, por causa da polijustiça. Enquanto uma mão lava a outra, traficantes são soltos, corruptos são perdoados e elegíveis, não há segurança nas cidades e no campo. 

A nação segue sequestrada pelo Estado. O lugar mais inseguro para um brasileiro pagador de impostos e cumpridor de deveres é o seu próprio país. Já há vítimas fatais, há traumas que nenhum valor financeiro vai reparar, há inocentes encarcerados e foragidos como se criminosos fossem e há criminosos sentenciando quem denuncia seus crimes. O maior líder da oposição sendo indiciado e já inelegível por um golpe inventado e incrementado por delações recheadas de tortura psicológica e ameaças. As cenas são gravadas sem pudor. A normalização dos absurdos segue seu curso. Há vítimas por todos os lados e há uma multidão sem saber quem poderá tirar a nação desse cárcere judiciário ilegal. 

A leitura da Constituição Federal deixou de ser obrigação, muito mais o seu cumprimento. Para falar a verdade, agir como se ela estivesse ainda em vigor é o que fazemos de mais perigoso, hoje em dia. Acreditar que estamos numa democracia ou significa que somos ingênuos ou fazemos parte da parcela de brasileitros idiotizados, mesmo aqueles com doutorado. Por falar nisso, quando uma reitora de uma univerdade pública diz "todes", é porque não apenas a lei tem sido jogada fora a partir dos tribunais, mas a gramática tem ido para mesma lata de lixo através das academias. Resta registrar o rastro de destruição que a multipla política judicial brasileira faz, com mortos, feridos, encarcerados, vitimas de uma ditadura que dobra a aposta a cada semana e que, criativa, cara de pau, segue o curso como quem não teme nada e nem ninguém. Como disse Rui Barbosa, "a pior ditadura é a ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer.”

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

CONTRIBUA QRCODE ADRIANA

 

 

 

 

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