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 hipocrisia

De indígenas segregados na COP 30 em Belém, a mulheres negras hospedadas em estábulos em Brasília.

Não é sobre garantir vaga na faculdade, é sobre garantir oportunidade desde o nascimento.
Não é sobre cotas e percentuais, é sobre ser visto como ser humano com capacidades iguais.

Indígenas, tratados como animais irracionais, foram segregados na COP 30 e, mesmo estando no seu lugar de fala, não puderam falar. Eles são usados apenas para sustentar uma narrativa de falsa preocupação e defesa, que durante séculos sequer lhes garantiu um banheiro. Morrem à míngua por falta de estrada, de assistência médica. Não precisam de mais hectares; precisam de cidadania de verdade.

Eles não podem continuar servindo para guardar riquezas negociadas em palácios e entregues de mão beijada, enquanto permanecem à margem da dignidade humana. Não podem ser objeto de estudo, nem “bibelôs” de europeus. São brasileiros que precisam ser registrados e ter acesso a tudo que um não indígena tem.

Eles não precisam ficar isolados para que sua cultura seja preservada. Nenhum outro povo paga esse preço; ainda assim, todos conseguem preservar sua forma de vida, seus costumes e crenças interagindo com comunidades diferentes. Eles não aguentam mais serem citados como importantes e ignorados como indigentes.

Mulheres negras colocadas para dormir em estábulos, como se fossem animais. Os que fazem isso são os mesmos que berram sobre a necessidade de reparação pelo passado, enquanto as agridem no presente. Usam a história para nos dividir em eternas vítimas e vilões, para nos estacionar no tempo e imputar culpa a uma geração atual por atos de antepassados. Criam um sentimento de revanche e ensinam a colocar sempre a culpa em alguém.

Os negros são tão brasileiros quanto os não negros e precisam se posicionar como autores do próprio destino, sem aceitar serem peças de um discurso batido que diz querer tirá-los do lugar, quando na verdade os empurra ainda mais para lá.

No mês da COP 30, o mundo viu como o governo atual do Brasil trata os indígenas. E no mês da consciência negra, também viu como trata as mulheres negras. Isso prova que não serão eventos nem datas que salvarão esses brasileiros. Enquanto se iludem com falsas promessas e narrativas vazias, atrasam a conquista de seus espaços por si próprios.

O politicamente correto da esquerda jogou no lixo a dignidade de indígenas e negros em um intervalo tão curto que parece até um único espetáculo com fim anunciado — mas ainda há quem insista que se trata de uma defesa real.

Entre um evento e o respeito; entre um “dia especial” e a dignidade, chegou a hora de pensar friamente e lutar pelo que realmente faz falta — e faria diferença — no destino desses povos que, para nós, não indígenas e não negros, são brasileiros que merecem respeito e dignidade.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

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