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 michelle nikolas

Bolsonaro já pagou um preço alto demais e seus apoiadores esperam maturidade, humildade e submissão ao líder.

Eu preciso falar sobre isso com você. Não adianta a direita tapar o sol com a peneira e fazer de conta que tudo está bem quando não está. Lamento decepcionar alguns, mas este artigo exige que nomes sejam citados, e esta é a minha leitura sobre a postura dessas pessoas nesse caminho árduo e doloroso para todos nós que somos apoiadores de Bolsonaro e que sofremos junto com ele e com todos os presos inocentes.

Vamos começar pelo nome mais sensível: a esposa de Bolsonaro. Por que ela custa a se manifestar e a usar sua influência para fortalecer a campanha de Flávio? Quero acreditar que seja apenas imaturidade e inexperiência política e que, de alguma forma, ela esteja sendo induzida por alguém a quem respeita muito. Precisamos separar as coisas. O fato de Michelle ser esposa de Bolsonaro há 18 anos, o fato de ser uma só carne com ele, não a faz procuradora dele na política, área que ela mesma já confessou não gostar no passado e na qual sua única experiência é ter sido esposa de deputado, primeira-dama do Brasil e presidente do PL, sem ter exercido cargo eletivo.

Essa posição dela na família não lhe dá autoridade para lidar com questões políticas que, em grande parte, desconhece e que estão muito mais claras para Bolsonaro e para seus filhos, que há mais de duas décadas exercem mandatos, têm votos, conhecem o jogo político-partidário e comungam dos mesmos objetivos do pai ao entrar na política há mais de três décadas.

Posto isso, não cabe usar sua autoridade e intimidade de esposa para se sobrepor e tomar decisões em um campo que não domina. Forçar essa situação chega a ser decepcionante. Quando a decisão de Bolsonaro aponta para os filhos e não para ela, isso não significa menor importância. Se eu pudesse pedir um favor a ela, diria: pare de confundir as coisas. Nós, bolsonaristas, não nos importamos com o fato de ele amá-la e ela amá-lo como homem e mulher, nem com o fato de serem casados e terem uma filha juntos. Isso precisa ficar separado da missão que ele tem em mãos para direcionar o que seus filhos e apoiadores precisam fazer para não perdermos o que foi penosamente conquistado e para podermos reconstruir este país.

Ninguém sofre mais do que os parentes dos inocentes presos, e isso não se discute, nem deveria ser usado como instrumento de manipulação. Respeito sua posição de esposa e mãe, mas não entendo sua postura política. Tenho minhas desconfianças de que pessoas que a influenciam e desejam continuar influenciando, e que através dela influenciam também Bolsonaro, tenham levantado a campanha de Michelle como vice de Tarcísio e se colocado contra a indicação de Flávio, porque sabem que não teriam qualquer influência sobre os filhos e perderiam espaço se Flávio se tornar presidente. Diferente seria se Tarcísio ganhasse e Michelle fosse sua vice.

Pode ser que ela não se encante com o poder, mas pessoas ao seu redor podem se encantar e conduzi-la a caminhos opostos aos que o próprio marido, enquanto político, já determinou em carta escrita de próprio punho.

Nós, bolsonaristas, esperamos de Michelle o óbvio: que ela acate de uma vez a direção dada por Bolsonaro e não permita que questões familiares prejudiquem o que precisa ser feito para dar continuidade e fazer valer o sacrifício de Bolsonaro e, inclusive, de sua família. Há pessoas que, por imaturidade ou por ouvir maus conselhos, acabam perdendo o prestígio e o respeito que tão penosamente conquistaram.

Se eu pudesse, também lhe diria um ditado popular: “quem beija o meu filho, minha boca adoça”. Diante de um pai preso injustamente e torturado, o mínimo que ela deveria fazer é tentar "beijar seus filhos" para oferecer a Bolsonaro algo doce, e não amargo.

Preciso falar também sobre Nikolas. Dispensa comentários sobre sua oratória e sua capacidade de influenciar, mas parece que lhe faltaram gratidão, humildade, senso de hierarquia e capacidade de aceitar a decisão do líder para o grupo. É perigoso que alguém tão preparado intelectual e espiritualmente tropece em seu orgulho e em sua incapacidade de submeter-se a um projeto maior. Talvez o poder tenha lhe subido à cabeça e despertado nele um sentimento de autossuficiência na vida pública. Ledo engano.

É óbvio que, entre ele e um esquerdista, eu votaria nele, mas sem qualquer expectativa de que esteja preparado ou seja confiável para construir um projeto de nação a médio e longo prazo. Isso só cabe aos humildes em atos, não apenas em palavras. Talvez Nikolas represente o perfil de muitos políticos de direita com mandato: não fizeram a trajetória longa que Bolsonaro e seus filhos fizeram, não suaram a camisa nem suportaram décadas de pancadas na vida pública. Foram catapultados ao mandato por serem apoiadores de Bolsonaro, eleitos sem grande percurso na conquista dos votos e até na prestação de contas à opinião pública. O poder veio de carona e, rapidamente, parece que esqueceram que estavam no banco do passageiro e não ao volante. Muitos deles não querem ser criticados e nem cobrados pelos apoiadores de Bolsonaro e isso é preocupante, pois já deram sinais de que, se pudessem, nos censuravam. Em que diferem da esquerda, nestas horas? Em nada!

Assumir o volante estando na carona, sem ser dono do carro e sem ter feito os mesmos sacrifícios, é, no mínimo, inconveniente, para não dizer desrespeitoso. Creio que nenhuma tentativa da esquerda e do Judiciário de destruir Bolsonaro tenha doído tanto quanto ver pessoas em quem confiou e promoveu não terem sequer a capacidade de submeter-se à sua liderança.

Há parlamentares que reconhecem isso e são gratos, permanecendo na posição humilde de serem parte de um projeto de Brasil e não de buscarem protagonismo. Mas a maioria parece ter se perdido em si mesma, e talvez se torne até difícil sua reeleição. Eu mesmo não dou meu voto apenas porque alguém se declara bolsonarista. Essa pessoa precisa conquistar meu voto por mérito próprio e ser eleitoralmente viável. A fase de cair no conto dos oportunistas já passou. É uma pena que pessoas com grande potencial e pouca humildade tenham comprometido um projeto maior do que seus próprios interesses.

Para não citar outros nomes, paro por aqui e digo que, politicamente falando, quem Bolsonaro realmente tem são os filhos, os tios do churrasco e as tias do zap, que prontamente se engajaram na campanha de Flávio sem titubear. O mínimo que podemos fazer é seguir a direção do líder, mesmo quando não entendemos suas decisões. Ele pode errar? Sim. Mas, se cada um fizer o que der na telha, os erros serão muitos e fatais para a direita conservadora, abortando qualquer chance de tirar o Brasil do buraco.

Com tristeza, deixo minha percepção do que vejo e observo. Tudo poderia ser mais fácil se a direita ouvisse a voz de comando do líder que tanto afirma ter. Espero que Michelle tenha maturidade e humildade para separar sentimentos familiares da missão que sua família, especialmente o esposo e seus filhos, têm para com o Brasil. Espero também que Nikolas ainda encontre o caminho de volta e, para provar isso e se redimir de momentos em que se levantou contra Bolsonaro, como nas eleições de São Paulo em 2024, coloque-se imediatamente à disposição de Flávio para o que der e vier. Afinal, sua influência hoje, assim como a de Michelle, existe por causa de Bolsonaro, e não o contrário. Nunca esquecer de onde viemos é a melhor forma de não nos perdermos no caminho. Ambos são cristãos e espero que reflitam.

No mais, estamos aqui para obedecer ao nosso capitão e prestar-lhe eterna gratidão por ter dado sua vida para libertar o país. O que ele fez como político é impagável, e o mínimo que seus apoiadores devem lhe oferecer é honra, respeito, consideração e o reconhecimento de sua direção. Que os eleitos e famosos por causa dele façam o mesmo, para que não reste a conclusão de que se trata, de fato, de mau caratismo.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

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