
Reportagem do R7 diz que o Prefeito Interino de Macapá, Dalua, é investigado por lavagem de dinheiro e rachadinha.
É difícil mensurar os riscos embutidos na decisão que colocou o presidente da Câmara de Vereadores, Pedro Dalua, na cadeira de prefeito interino de Macapá.
O velho ditado já alertava: “quem tem telhado de vidro não atira pedra no do vizinho”. No entanto, desde o primeiro dia à frente da gestão, o que se vê é um esforço contínuo de atacar o gestor anterior. Criou-se um “gabinete de crise”, mas a verdade é que a crise parece ter chegado junto com quem assumiu.

Segundo investigações, Dalua enviou valores expressivos para Renivaldo Costa, o atual porta-voz do gabinete de crise.
Antes da decisão judicial que afastou o prefeito e o vice — e que alçou Dalua ao comando da capital — Macapá vivia um cenário de estabilidade administrativa. Os serviços públicos funcionavam, obras estavam em andamento e havia entregas programadas, como a Escola Amapá, prevista para inauguração em 20 de março, além de ordens de serviço que eram emitidas praticamente todos os dias.
A gestão do Dr. Furlan, junto à sua equipe, era marcada por ritmo intenso de trabalho — algo percebido pela população. O vice-prefeito, Mário Neto, é o nome legítimo para dar continuidade à administração, especialmente diante da expectativa de que ele assuma o posto e mantenha o projeto aprovado nas urnas. Parece que para os que se acham donos do Amapá, em time que está ganhando, se mexe e se desorganiza, pois o poder é mais importante do que os resutados positivos na vida da população.
Na manhã desta quarta-feira, recebi — sem surpresa — um vídeo de uma reportagem da TV Record que traz à tona investigações graves envolvendo Pedro Dalua, incluindo acusações de lavagem de dinheiro e prática de rachadinha. Segundo a matéria, já na condição de presidente da Câmara, cargo assumido em janeiro de 2025, ele teria adquirido, à vista, um carro de luxo de R$ 600 mil e uma mansão avaliada em R$ 5 milhões.
Diante disso, é exagero dizer que a população está apreensiva com os rumos da prefeitura sob sua liderança?
Relatos que chegam — e que, por responsabilidade, não podem ter suas fontes expostas — apontam para um ambiente interno de tensão. Há informações sobre decisões consideradas inconsequentes e até ofensivas. Comunicados teriam sido enviados restringindo a circulação de servidores dentro das repartições, exigindo acompanhamento de segurança até mesmo para acessos básicos.
A mensagem que isso transmite é grave: trata todos os servidores, indistintamente, como suspeitos. Profissionais que sempre atuaram com dedicação se veem, agora, sob um olhar de desconfiança generalizada. Há casos de servidores impedidos até mesmo de levar de volta objetos pessoais que utilizavam para auxiliar no trabalho diário, pois se assim o fizerem, são acusados de estarem levando patrimônio público para casa.
Não se trata de zelo pelo patrimônio público. Trata-se de excesso, de desconfiança institucionalizada e de um ambiente que beira o constrangimento.
Também há preocupação em áreas técnicas essenciais. Informações indicam que mudanças estão sendo feitas em setores que exigem conhecimento especializado, o que pode comprometer a continuidade de serviços que não podem parar.
Acusar secretários, insinuar irregularidades e transformar procedimentos administrativos — como o acesso a sistemas — em suspeitas públicas é, no mínimo, leviano. A transição de gestão não pode se transformar em espetáculo, muito menos em uma caça às bruxas em busca de “provas” a qualquer custo.
Gestão pública é coisa séria. Uma cidade não pode ser tratada como palco de disputas pessoais, vaidades ou vinganças.
Uma administração interina, por sua própria natureza, deveria prezar pela estabilidade. Não é tempo de rupturas profundas, mas de garantir continuidade. Afinal, trata-se de uma gestão que pode ser temporária — mas cujos impactos podem ser duradouros.
Enquanto isso, a população acompanha, apreensiva, sinais de desorganização: problemas na coleta de lixo, falta de transparência com o site institucional fora do ar por algum período e uma sensação crescente de instabilidade.
No campo das acusações de corrupção, o que se observa — à luz das investigações divulgadas — é uma inversão preocupante: acusa-se o outro daquilo que se é ou do que se é capaz de fazer.
Até quando Macapá suportará uma gestão que trouxe consigo uma crise desnecessária?
A pergunta que fica é inevitável: há, de fato, um projeto para a cidade — ou um projeto para impedir que ela dê certo?
Porque, quando o poder é exercido de forma irresponsável, quem paga a conta não são os políticos.
É o povo.
Adriana Garcia
Jornalista na Amazônia
