
Quando a diferença entre as famílias comunica muito para uma nação que vai decidir o seu futuro.
Com o cerco se fechando contra Fábio Luís Lula da Silva, mais conhecido como Lulinha, diante de evidências que já não podem mais ser varridas para debaixo do tapete, torna-se inevitável a comparação entre ele e Eduardo Bolsonaro. Ambos estão fora do Brasil — mas por razões e circunstâncias bastante distintas.
Eduardo deixou o país após uma viagem com a família aos Estados Unidos, durante o carnaval de 2025. Ao perceber que poderia ser alvo de prisão — mesmo sem condenação criminal — decidiu não retornar. Já Lulinha mudou-se para a Espanha justamente quando o escândalo envolvendo o INSS veio à tona e seu nome começou a ser citado com mais intensidade.
Segundo informações divulgadas pela BBC News Brasil, Lulinha é o filho mais velho de Luiz Inácio Lula da Silva com Marisa Letícia Lula da Silva. Formado em biologia, chegou a trabalhar como estagiário em um zoológico em São Paulo. Posteriormente, tornou-se empresário no ramo de tecnologia.
Nos anos 2000, tornou-se sócio da empresa Gamecorp, que atuava no setor de jogos eletrônicos. Em 2019, o Ministério Público Federal denunciou Lulinha e outras dez pessoas por suposto recebimento de vantagens indevidas da Oi (antiga Telemar), entre 2004 e 2016.
Em 2020, ele foi alvo de investigação no âmbito da Operação Lava Jato, sob suspeita de receber repasses que ultrapassariam R$ 100 milhões do grupo Oi/Telemar para suas empresas, em troca de decisões favoráveis ao governo durante as gestões petistas. O caso acabou sendo arquivado.
A pergunta é: até quando investigações envolvendo o filho do presidente Lula resultarão em arquivamentos? Nitidamente há uma rede de proteção política e institucional que impede o avanço de processos. O nome de Lulinha voltou a circular em meio a denúncias envolvendo recursos desviados dos aposentados do INSS, e seu sigilo bancário foi quebrado, mas não se sabe até quando e nem até onde a investigação poderá chegar. Mas diante de experiências anteriores, tudo pode acabar em impunidade, mais uma vez.
Por outro lado, Eduardo Bolsonaro, policial federal de carreira, foi deputado federal de 2015 a 2025. Em 2018, foi reeleito com 1.843.735 votos, tornando-se o deputado federal mais votado da história do Brasil. Mesmo sem condenação criminal, ele sofreu decisões judiciais que resultaram na perda do mandato e, posteriormente, do cargo como escrivão da Polícia Federal, sob a justificativa de faltas ao trabalho.
A perda de seu cargo público teve como objetivo pressioná-lo a retornar ao Brasil para então ser preso. Eduardo permanece fora do país e é vitima de perseguição política implacável. Decisões ilegais de Alexandre de Moraes, impuseram medidas cautelares inclusive a familiares de Eduardo, como o bloqueio de contas bancárias de sua esposa.
O contraste político se amplia quando se observa que Jair Bolsonaro está preso por um processo ilegal e por um crime que não existe, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva ocupa novamente a Presidência da República após decisões judiciais que anularam suas condenações anteriores por causa de um CEP e após uma condução parcial da justiça eleitoral no pleito de 2022.
Neste cenário, o que essas duas famílias têm em comum é a atuação decisiva da Supremo Tribunal Federal, cujas decisões protegem o lado que é reinicidente em crimes e perseguem o outro que nenhum crime cometeu.
Como tudo isso terminará, é difícil prever. Resta saber quando poderemos voltar a acreditar que o crime não compensa. Pois até o momento, ele compensa, ao presenciarmos criminosos nos tribunais e nos palácios se blindando de serem investigados e inocentes presos e exilados por crimes inventados.
O que vimos esta semana, foram os aliados de Lula votando contra a quebra de sigilo de seu filho e dispostos até a agressões fisicas para impedir as investigações. A situação do Brasil é moral e pode custar o fim desta república.
Adriana Garcia
Jornalista na Amazônia
