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 choquei

Viramos um narco-estado e a maioria dos brasileiros ainda não se deu conta disso.

Esta semana, o Brasil descobriu que o submundo do crime está ligado ao poder executivo, com a prisão do dono da “Choquei” e de outras pessoas que, para a minha geração, é até difícil definir: são traficantes, influenciadores, dançarinos, cantores ou organizadores de festas? Tudo que começa com “MC” precisa ser interpretado e traduzido para quem é do meu tempo.

O problema é que mais de 200 bilhões de reais estão envolvidos nessa história — um volume que torna até o escândalo do Master pequeno. É dinheiro demais vindo de fontes ilícitas circulando livremente, enquanto quem tenta ganhar a vida de forma honesta vê tudo escapar pelos dedos. Ou melhor: sendo levado pelo governo, por meio de taxas, aumento de impostos e um custo de vida cada vez mais alto.

Será que o Brasil está mesmo se tornando um país onde só prospera quem é criminoso e amigo de autoridades igualmente criminosas? Na lista de instituições interessadas em manter o crime não apenas livre, leve e solto, mas também altamente rentável, estão os bancos — e, por trás deles, consultores, esposas de ministros e sócios de ministros.

Quando Trump quis que Lula reconhecesse o PCC e o CV como organizações terroristas, os bancos alegaram que isso prejudicaria a economia e o turismo no Brasil. Então está explicado: os maiores e mais lucrativos clientes dos bancos seriam os próprios terroristas. Na prática, os bancos estariam atuando como advogados de clientes VIP.

Enquanto isso, o povão segue esmagado: pagando juros altíssimos, sem poder de compra, entrando em dívidas e perdendo patrimônio. É uma espécie de assalto contínuo, no qual o cidadão comum — pagador de impostos — se torna vítima ad eternum.

É o assalto oficial, com impostos diretos e indiretos. É o assalto cotidiano, quando a classe média parcela um celular em 12 vezes, enquanto o criminoso leva o aparelho para vender e “tomar uma cervejinha”, como já foi dito pelo presidente da República, Lula. E é o assalto institucionalizado pelos bancos, que se tornam a única saída para quem não consegue sair do ciclo de dívidas — não por falta de planejamento, mas por consequência de um sistema que penaliza quem produz.

ONDE AINDA EXISTE ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO?

Talvez apenas no papel — um papel que, para muitos, já perdeu o valor. A chamada “sexta república” parece ter implodido diante da infiltração do crime organizado nas próprias instituições que deveriam combatê-lo.

O Brasil, que deveria ser uma nação, passou a operar como um CNPJ capturado por criminosos: traficantes, terroristas, ladrões, torturadores, ditadores e assassinos — estejam eles nos palácios ou nos morros, nas palafitas ou nas mansões.

Quando uma CPI pede o indiciamento de ministros da Suprema Corte por ação e do Procurador-Geral da República por omissão, o que se vê é um sistema em frangalhos. E quando esse pedido é barrado por manobras políticas, a percepção que se cria é a de um sistema fechado, que se protege.

A situação se agrava quando autoridades  do judiciário citadas afirmam, em entrevistas, que podem cassar e tornar inelegíveis aqueles que ousaram questioná-las. Diante disso, cresce a sensação de que o país está sob domínio de uma estrutura de poder que não admite contestação - diante de uma máfia.

Quando altas autoridades brasileiras, como o diretor geral da PF, o PGR e ministros da Suprema Corte aparecem em ambientes informais com o dono do Banco Master, surgem questionamentos inevitáveis. Isso alimenta a desconfiança pública e reforça a percepção de que parte das instituições perdeu sua capacidade de agir com independência e, provavelmente, participa dos ilícitos.

A realidade já ultrapassou todos os limites — e envolve um número crescente de pessoas em diferentes esferas de poder. Para permanecerem onde estão, não medirão esforços. Para eles, é uma questão de sobrevivência. O problema é que a sobrevivência desse sistema pode significar a destruição da própria nação.

Diante disso, surge um pensamento radical: reconhecer a falência do modelo atual e reconstruir algo novo — com princípios sólidos, valores sustentáveis e bases morais compatíveis com sociedades livres e democráticas.

Pode parecer extremo, mas há quem defenda que a república, corroída, já não se sustenta. E que quanto antes esse ciclo se encerrar, mais rápido será possível iniciar outro.O defunto está apodrecido e precisa ser enterrado.

UMA NAÇÃO QUE NÃO SE CHOCA MAIS

O mais alarmante é que, mesmo diante de tudo isso, poucos parecem perceber. A maioria dos brasileiros sequer foi impactada — nem mesmo a “Choquei” conseguiu chocar ou despertar a população.

A percepção que cresce, dentro e fora do país, é a de que o Brasil caminha para ser tratado como um narcoestado. E isso não virá em forma de decreto oficial ou anúncio público.

Por isso, o alerta é direto: não espere um diário oficial declarar a falência do país. É preciso se posicionar — contra o que foi feito do Brasil e a favor de quem ainda tenta mudar esse cenário, investigando, expondo e buscando responsabilizar os envolvidos.

Afinal, se ainda houver uma chance de recomeçar, ela dependerá de quem não se acomodou — e decidiu reagir.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

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