
Entre o riso doentio e o silêncio covarde, estão validando a ditadura que fará as próximas gerações prantearem.
Eu tenho curiosidade em saber como era a Venezuela antes de se tornar uma ditadura. Vivendo o que estamos vivendo no Brasil, posso apostar que, quando a oposição a Chávez começou a ser perseguida e presa, muitos riram e outros tantos permaneceram em silêncio — até que o regime se consolidou com a conivência de uma imprensa prostituída e de um Judiciário escolhido a dedo para dar “legalidade” às arbitrariedades que se seguiram. Hoje, o país é um narcoestado, com grande parte de sua população miserável ou espalhada pelo mundo, tentando sobreviver como pode.
O Brasil não está distante disso. Muitos riem de uma desgraça como se fosse graça, enquanto outros fingem não ver. Preferem o silêncio para não se comprometer, acreditando que jamais acontecerá com eles.
Entre risos e silêncios, há uma lição sendo ensinada. E, quando ela for aprendida, não poupará ninguém dos danos mais cruéis. Porque a colheita nunca é do tamanho da semente; ela é sempre muito maior — para o bem ou para o mal.
Agimos muito mais pelo exemplo do que pelos discursos. Vou ilustrar: se eu trato mal minha mãe, estou ensinando minhas filhas a me tratarem mal. Isso será instintivo, independentemente de quantas vezes eu suplique respeito e honra. O exemplo é o parâmetro que formará o comportamento delas. Quando eu respeito e cuido da minha mãe, estou protegendo o meu próprio futuro, imprimindo no coração das minhas filhas uma forma de agir que me garantirá ser respeitada e cuidada. Há exceções, claro, mas essa é a regra.
Ao observar políticos canalhas rindo e debochando de um processo e de uma prisão absolutamente ilegais, eles deixam este legado não apenas à própria família, mas também aos seus liderados, que passarão a achar normal que os fins justifiquem os meios — e, com isso, usarão meios ilegais para atingir seus objetivos. Assim, enraíza-se uma iniquidade que perdurará nas relações e na posteridade desses canalhas. E não importa quantas conquistas aparentes tenham; suas vidas não terão um minuto de paz, porque enganar, mentir e passar a perna virou rotina para eles e para aqueles que estão ao seu redor.
Não haverá lugar seguro para quem hoje comemora o que sabe que é ilegal e, mais ainda, desumano.
Piores ainda são aqueles que um dia sentaram à mesa com Bolsonaro, que usaram seu nome e que, como urubus na carniça, agora mendigam o apoio de um idoso debilitado para vencer as eleições de 2026. Estão cursando uma escola infernal que não suportarão e cercando-se de traidores que, no futuro, jogarão na cara deles o pecado que testemunham hoje.
O silêncio por medo, por conveniência, por covardia, empurrará cada um deles para o terreno da insensibilidade e do abandono. Seus próprios liderados estão vendo como tratam o “líder” — e saberão aplicar exatamente a mesma lógica quando chegar a vez deles. Vão silenciar, vão se omitir e deixar que sucumbam.
A máxima que me orienta, além do temor a Deus, é simples: não faço a ninguém o que não quero que façam comigo. Procuro me colocar no lugar do outro e refletir sobre como devo agir diante do sofrimento alheio, especialmente quando esse sofrimento é algo que eu mesma não suportaria viver.
Lula esteve preso após um processo longo, legal e repleto de provas. Eu comemorei sua prisão não por ódio, mas pela convicção de que pagava pelos próprios crimes — crimes que não foram poucos e que afetaram uma nação inteira.
Hoje vejo pessoas celebrando a prisão de Bolsonaro por razões absurdas, como as mortes da pandemia — sendo que pessoas morreram no mundo inteiro e em nenhum outro país milhares de vítimas foram usadas como justificativa para condenar um presidente por genocídio. A falta de noção, discernimento, educação e conhecimento levou muitos a transformar uma tragédia pessoal — que eu mesma vivi — em combustível para um ódio irracional contra Bolsonaro.
Estão dando carta branca para um sancionado, violador de direitos humanos e psicopata destruir a nação e nos arrastar à miséria. Tudo porque perderam um ente querido e acreditam que a prisão de Bolsonaro aliviará sua dor. Isso é completamente doentio.
Essas pessoas não conseguem enxergar o rombo no INSS, ligado a vários políticos do Brasil, inclusive ao presidente Lula. Não se revoltam com o rombo nos Correios. Não se indignam com os bilhões desviados da COP30 e, agora, com os bilhões roubados pelo Banco Master — cuja advogada é casada com o juiz ditador que elas mesmas validam e aplaudem.
O riso e o silêncio precedem o pranto — talvez não desta geração, mas das próximas.
Eu não deixarei esse legado de destruição para minha descendência.
A liberdade não se negocia. E quando você não luta pela liberdade de um inocente só porque o odeia, a verdade é que você nunca lutou pela liberdade. Você quer — e merece — uma ditadura.
E espero que ela chegue rápido para você, para que ainda haja tempo de confessar, arrepender-se e perceber, antes da eternidade, o inferno que você está ajudando a construir para gerações ainda vivas.
Adriana Garcia
Joranlista na Amazônia
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