
Venezuela, EUA e Brasil: por que alguns mandam e outros obedecem.
Diante da captura de Maduro e de sua esposa pelos Estados Unidos no último dia 03 de janeiro, e das diferentes visões sobre o fato, gostaria de falar sobre o cerne da questão: a maior potência mundial — e por que ela é o que é.
Cada um de nós enxerga o mundo a partir de um filtro pré-determinado, construído pela nossa criação e formação. Eu fui criada em um lar cristão e, por isso, não consigo desvincular a prosperidade e a paz de um país de seus princípios e valores, especialmente da proteção à família, do estímulo ao trabalho como forma digna de renda e de relações sociais firmadas na verdade e na justiça.
Quando Deus decidiu se manifestar ao mundo após a queda do homem no Éden, Ele o fez separando para Si um povo, por meio de Abraão. Assim, forjou Israel e deu a essa nação — seu tesouro pessoal — todos os parâmetros do que conduz uma nação à bênção e tudo aquilo que pode levá-la à derrota. Ao longo da história de Israel, houve vitórias e derrotas, sempre diretamente relacionadas à sua obediência ou desobediência a Deus. Houve períodos de reforma espiritual e também de decadência moral. Deus sempre levantou profetas para corrigir, consolar, trazer esperança e direção.
Quando Jesus nasceu, havia trevas sobre a nação escolhida e um silêncio profético. Ele veio, viveu e morreu não para ser um rei político passageiro, mas para habitar no espírito de todo aquele que nele crê, promovendo uma reforma espiritual e moral individual que, quando coletiva, abençoa famílias e nações. Em Cristo, são benditas todas as famílias da Terra. Esse é o plano e o desejo de Deus, mas a chave sempre esteve do lado de dentro. As mazelas do mundo existem porque grande parte da humanidade rejeita esse plano perfeito, consumado na cruz e confirmado na ressurreição.
Só existe um Reino perfeito e eterno: o de Jesus Cristo, firmado na justiça e na verdade. Ele será plenamente estabelecido no tempo determinado. Até lá, o mundo segue seu curso. Nações se erguem, caem, se reorganizam. O mapa geopolítico se reconfigura periodicamente, e estamos vivendo mais um desses momentos. Isso se reflete no fato de existirem países bem-sucedidos, outros menos bem-sucedidos e alguns miseráveis, embora Deus tenha concedido a todos o mesmo potencial de autossustento.
Nesse contexto, surgem potências mundiais como Estados Unidos, China e Rússia, que disputam influência e controle sobre áreas estratégicas para garantir que seu poder jamais seja ameaçado. Outros países, por motivos diversos, jamais se tornarão potências ou permanecerão eternamente como “quase potências”, a menos que aprendam com quem já é potência, decidam trilhar esse caminho de forma persistente e consigam, a longo prazo, deixar de ser o rato da história para se tornarem o gato.
China e Rússia encontraram um caminho não democrático para se tornarem potências: controlam e, em muitos aspectos, escravizam seus povos. Restaram os Estados Unidos como a potência democrática que preserva liberdades individuais, respeita direitos dados por Deus e utiliza todo o seu potencial para proporcionar ao seu povo a melhor qualidade de vida possível. São, de fato, patriotas.
Eu me pergunto: por que nos ensinaram a odiar os Estados Unidos, se esse país é, na prática, um bom exemplo a ser observado? Por que aqueles que dizem combatê-lo são justamente os que, quando podem, passam férias lá, investem seus dólares lá e desejam viver como quem vive lá? Seria inveja? Uma reação irracional que os mantém na defensiva, sem jamais cogitar se inspirar nesse modelo?
Por que o Brasil não é como os EUA? Por que, apesar de todo o potencial, ao que tudo indica, nunca nos tornaremos uma potência? Qual é o preço que os Estados Unidos pagam e que nós não estamos dispostos a pagar?
Os Estados Unidos não se tornaram potência por acaso. Existe, inclusive, uma ligação espiritual com Israel que os coloca sob a promessa bíblica: “abençoarei os que te abençoarem”. Além disso, o país nasceu com raízes essencialmente cristãs, e suas leis se baseiam nos direitos concedidos por Deus à Sua criação. Isso faz com que a família e a liberdade sejam preservadas acima de tudo, e com que governos, ao longo das gerações, priorizem seus próprios interesses nacionais, e não os de outras nações. Se todos os países pensassem assim, o mundo seria melhor. Cada povo exerceria seu potencial máximo, viveria livre, próspero, protegido e em paz.
Nos Estados Unidos, o certo ainda é certo e o errado ainda é errado. O direito à propriedade privada, à legítima defesa, o respeito a regras simples, claras e diretas fazem do país não apenas uma potência produtiva, mas uma sociedade mais próxima de um ideal funcional. A nação realizou intervenções importantes ao longo da história, salvando milhões de vidas. Apesar de seus interesses, suas ações, em grande parte, produziram mais efeitos positivos do que negativos. Como seria o mundo se os Estados Unidos nunca tivessem existido? Quantas guerras intermináveis a mais teríamos enfrentado?
Desde cedo, os americanos aprendem a amar sua bandeira, seu hino, sua história e a honrar seus heróis. Existem princípios basilares respeitados por gerações que tornam o povo forte, ativo, livre e relativamente coeso. A perfeição só veremos no Reino de Cristo, mas, sem dúvida, os EUA apresentam mais virtudes do que defeitos. Se não fosse assim, não haveria tantas pessoas querendo viver lá. Reconhecer isso é um ato de humildade que faria muito bem ao Brasil.
Ao observar a intervenção na Venezuela e a possível reconfiguração das Américas, com os Estados Unidos atuando ao mesmo tempo como guardião e explorador, fica ainda mais evidente o quanto aquele povo se preparou cultural, política e economicamente para ser cabeça, e nunca cauda. Não adianta a Venezuela desejar soberania, democracia, liberdade, prosperidade e paz se seu povo não cultivou os princípios e práticas necessários para sustentar tudo isso. Ninguém se torna potência por acaso. Ser uma potência democrática como os EUA tem um preço — e é um preço que as nações ressentidas nunca quiseram pagar.
O recado vale para o Brasil. Não adianta chorar pelo leite derramado, nem tentar evitar as consequências de séculos de más escolhas e de um sistema educacional falido. Nossa omissão, nossa falta de patriotismo, nossa baixa autoestima nacional não nos impulsionam à excelência, apenas nos mantêm na mediocridade de criticar quem fez melhor e merece os frutos disso.
O que deixamos de fazer para não nos tornarmos uma potência mundial? Não fomos educados a amar nossa bandeira, nosso hino, nossa história. Não conhecemos nem honramos nossos verdadeiros heróis. Não temos referências sólidas. Amaldiçoamos o país com palavras e atitudes, sustentamos o “jeitinho brasileiro”, buscamos dinheiro fácil, queremos liberdade, democracia, prosperidade e autonomia sem esforço. Acreditamos em soluções mágicas, quando, na verdade, o que existe é uma mentalidade e um comportamento que precisam mudar — e isso custa resignação, resiliência, tempo, persistência, perseverança e fé.
Permitimos que nossas próprias leis fossem contra os interesses do Brasil. Como dar certo assim? Os Estados Unidos, com a mentalidade de colocar seu país em primeiro lugar, jamais aceitariam leis como as nossas. Somos roubados por dentro e por fora e seguimos de mãos atadas. Nossa omissão nos transformou em um país eternamente “quase potência”. Temos muito, mas seguimos à mercê de potências que fizeram o que nós não quisemos fazer. Negociam nossas riquezas, conhecem nosso território melhor do que nós mesmos. Nunca deixamos, de fato, de ser colônia de alguém e nos iludimos com uma independência que nunca se consolidou.
Não reagimos às injustiças impostas. O que merecemos quando permitimos? O limite da tirania é aquele que o povo impõe. Quando não há limite, ela avança. Por que outro país lutaria por nossos interesses se nós mesmos não estamos dispostos a fazê-lo? E se chegarmos a um ponto, como a Venezuela, em que só reste aceitar ajuda externa para resolver nossos problemas, você acha justo que isso seja de graça?
Quem foi ruim para a Venezuela: a ditadura de Maduro, sustentada por quase 30 anos pelo próprio povo, ou os Estados Unidos, que agora removem um ditador que usurpou o poder? Os EUA só têm essa capacidade porque, enquanto nação e povo, fizeram escolhas que nós evitamos. Eles aprenderam a lutar com todas as forças pelo desenvolvimento e prosperidade do seu país e contra tudo que ameaça isso.
Neste momento em que o povo venezuelano celebra a esperança de voltar a ser livre, o país está devastado — e isso não é culpa dos EUA, mas das escolhas internas. Quem não tem coragem, postura e disposição para lutar por sua própria nação acaba se submetendo aos interesses de quem tem estrutura, coragem e força para vencer o jogo. A Venezuela já não usufrui de suas riquezas, negociadas por Maduro em benefício próprio. Quem está no fundo do poço não pode escolher como será a ajuda.
O Brasil está perigosamente próximo de viver um momento semelhante — e, se isso acontecer, será por culpa nossa. Precisamos de humildade para reconhecer isso e coragem para evitar. Depois do leite derramado, resta apenas o choro da opressão. O resgate custa caro, e a fome não dá opção. Seremos obrigados a nos submeter aos interesses de quem teve o mérito de se tornar potência enquanto nós abrimos mão disso.
Se você esquecer tudo o que leu aqui, lembre-se disto: nenhum país fracassa por acaso, e nenhuma nação se torna potência por acaso. Cada povo escolhe pagar o preço do fracasso ou do sucesso. Até agora, o Brasil tem pago o preço do fracasso — e é covardia culpar quem passou a vida inteira pagando o preço do sucesso.
Se não queremos ser escravos de tiranos internos nem peças de interesses externos, precisamos aprender a priorizar os interesses da nação e lutar por eles com todas as forças. Talvez daqui a 200 anos o Brasil dê certo porque eu e você começamos agora a mudar mentalidades, a cultivar um amor sacrificial pelo país e a escolher representantes dignos de honra. Hoje, uma nação que chama criminosos de “vossa excelência” precisa assumir o resultado que colhe — e não transferir a culpa para quem soube fazer escolhas melhores para governar sua própria história.
Adriana Garcia
Jornalista na Amazônia
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