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Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelam os bastidores das articulações que antecederam e acompanharam a transferência de recursos da Amapá Previdência (Amprev) para a instituição financeira. A reportagem do UOL, assinada pelo jornalista Fabio Serapião, apresenta conversas que ajudam a reconstruir o que aconteceu nos dias anteriores e no momento em que os investimentos foram liberados.
Segundo as informações divulgadas pelo portal, em novembro de 2023, as tratativas envolvendo Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, e executivos do Banco Master se intensificaram. Rueda é o dirigente máximo do partido ao qual pertencem o senador Davi Alcolumbre e o governador do Amapá, Clécio Luís, derrotado nas urnas na disputa eleitoral.
Em uma das mensagens, o diretor comercial do banco, Fernando Mascarenhas, avisou Vorcaro que Rueda havia ligado e perguntou se ele estaria no banco no dia seguinte. Na sequência das conversas sobre o Amapá, Mascarenhas escreveu: “Amapá, confirmado 400”, e Vorcaro respondeu: “Quero ver nosso amigo apertar o enter”.
O episódio mais revelador, segundo a reportagem, ocorreu em 12 de julho de 2024, data da aprovação de uma operação envolvendo o instituto previdenciário amapaense. Após a circulação de uma notícia sobre a Caixa Asset, o tesoureiro do banco informou que Rueda pretendia “segurar as operações”.
Pouco depois, Rueda teria enviado uma mensagem a Vorcaro com um pedido direto: “Apaga essas mensagens”. Cerca de uma hora mais tarde, o diretor comercial do Master comunicou a liberação de mais recursos: “Aprovado 200 M agora no Amapá. Nesse minuto”.
A sequência das mensagens coloca em evidência os bastidores da operação e levanta questionamentos sobre as articulações políticas e financeiras que cercaram a aplicação de recursos pertencentes ao regime de previdência dos servidores públicos do Amapá.
A proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro, segundo o UOL, atribuía a Rueda e ao vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, suposta participação na captação de recursos de fundos previdenciários estaduais para o Banco Master, com previsão de comissões de 10%. A proposta, conforme a publicação, foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Essas alegações não equivalem a uma condenação judicial.
Em nota ao UOL, Rueda afirmou que sua relação com o Banco Master era “eminentemente profissional” e classificou a divulgação de trechos das informações como tentativa de criar suspeitas infundadas. ACM Neto, por sua vez, negou ter atuado para direcionar recursos de institutos previdenciários ao banco, incluindo os da Amprev, e afirmou que os pagamentos recebidos corresponderam a serviços de consultoria formalizados em contrato.
A pergunta que fica para o Amapá é: como uma operação envolvendo recursos da previdência dos servidores públicos chegou a esse ponto, e quem deve responder pelas decisões que permitiram a aplicação desse dinheiro?
Quando o assunto envolve o futuro das aposentadorias dos servidores, transparência, fiscalização e responsabilização precisam estar acima de qualquer aliança partidária.
Fonte: reportagem de Fabio Serapião, publicada pelo UOL.
Adriana Garcia
Jornalista na Amazônia
