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Um avião de grande porte chegou na noite anterior à operação. Levaram celulares, computadores e até carros. 

É importante esclarecer que governos e prefeituras possuem orçamento destinado à publicidade, e isso, por si só, não significa desvio de dinheiro público. Contratar uma agência para realizar esse serviço junto à imprensa também está dentro da normalidade da boa administração pública.

Segundo o senador Lucas Barreto, de 2023 para cá, o Governo do Estado gastou R$ 132 milhões em publicidade, sem que isso tenha sido alvo de investigação. Diferentemente dos R$ 25 milhões investidos em publicidade na gestão do ex-prefeito Dr. Furlan ao longo de cinco anos. A diferença orçamentária é enorme e dispensa comentários. Se há crime em investir R$ 25 milhões em cinco anos na gestão da capital, que concentra cerca de 60% da população do estado, por que não haveria questionamentos sobre R$ 132 milhões investidos em quatro anos?

A forma como a difusão das informações é feita também não é diferente. Geralmente ocorre por meio de grupos de WhatsApp ou listas de transmissão. Tanto o governo quanto a prefeitura possuem secretarias de comunicação responsáveis por repassar informações à imprensa, realizar coberturas e publicar conteúdos em canais oficiais, sites e redes sociais institucionais. A imprensa faz essa cobertura e repercute os atos dessas gestões.

Até aí, o comportamento de ambos os grupos é idêntico. Há veículos que valorizam a gestão de Clécio Luís e fazem críticas constantes ao Dr. Furlan, exatamente entre mídias que recebem patrocínio do governo estadual. Da mesma forma, havia um comportamento semelhante entre aqueles que cobriam as atividades da prefeitura na gestão do Dr. Furlan.

Portanto, se as comunicações internas sobre conteúdos forem consideradas práticas de “milícia digital” — o que, a meu ver, não são — então essa prática estaria acontecendo dos dois lados. Sendo assim, os aparelhos eletrônicos de centenas de sites, jornais, rádios e jornalistas que prestam serviços ao governo também deveriam ser alvo de busca e apreensão.

Fica evidente um grande desequilíbrio quanto ao número e ao formato de comunicação que serve ao governo estadual, comparado ao que servia à prefeitura na gestão do Dr. Furlan, até mesmo pela limitação orçamentária, estando esta em ampla desvantagem. Além disso, os poucos veículos ligados ao ex-prefeito sofrem constante perseguição.

Um exemplo emblemático é a Rádio Forte FM, que possui apenas dois programas que abriam espaço para repercutir ações da prefeitura e que está prestes a ser fechada por um motivo que não convence, já que a acusação feita contra ela ocorre de forma clara em rádios aliadas ao governador, sem que estas sofram qualquer restrição.

Fazendo uma análise fria, a gestão do Dr. Furlan praticamente não tinha espaço em emissoras de rádio, exceto nesses dois programas. E justamente essa única rádio estaria sofrendo ameaças de perder a concessão. Pode ser coincidência, mas não parece.

Comunicadores aliados do Dr. Furlan são processados semanalmente pelo governador Clécio Luís. Em quase todas as ações, o governador perde, pois a Justiça entende que se trata de liberdade de expressão, liberdade de imprensa e crítica política amparadas pela Constituição.

Considerando um orçamento muito menor, os valores pagos a quem prestava serviço para a prefeitura também eram inferiores, não cabendo qualquer insinuação de enriquecimento ilícito ou superfaturamento. Além disso, há provas de que os serviços foram efetivamente prestados.

As ações que tentam retirar o Dr. Furlan da disputa política não são recentes. Elas foram claramente expostas em um áudio vazado de uma conversa entre Pedro DaLua e o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre. Esse áudio, por si só, seria uma amostra do modus operandi e da insistência em destruir politicamente o Dr. Furlan por todos os meios possíveis, republicanos ou não.

Há mais de 80 dias, a gestão do Dr. Furlan foi afastada, incluindo o vice-prefeito e agora prefeito legítimo, Mário Neto, causando não apenas um caos administrativo, mas também instabilidade na prestação de serviços, demissões em massa e, na prática, a tomada de uma prefeitura que não foi conquistada nas urnas, mas por meios considerados não convencionais. Eis mais uma coincidência? Não creio.

Agora, com esta operação — que, inclusive, teria sido vazada previamente para jornalistas, sites e blogs ligados ao governador — foi montado um verdadeiro espetáculo midiático com repercussão nacional. Enquanto isso, nem mesmo a advogada do Dr. Furlan sabia como se posicionar, por não ter acesso aos autos e desconhecer o teor da decisão que resultou na operação. Mais uma coincidência? Creio que não. Trata-se de uma prática perigosa, que vem se tornando comum e dificulta o direito de defesa daqueles que estão sendo perseguidos politicamente.

A apreensão de celulares e computadores de profissionais da comunicação significa, na prática, a retirada de seus instrumentos de trabalho por pelo menos 60 dias, causando prejuízos de todas as ordens e podendo, inclusive, silenciar suas vozes. Seria mais uma coincidência justamente em um período crucial para as eleições? Creio que não.

Há relatos de que até veículos foram apreendidos. Um dos lados perdeu completamente as condições de trabalho e até de locomoção, algo que muitos consideram desproporcional.

Um dos investigados é CAC e estava com o cadastro de endereço vencido, o que o levou até a sede da Polícia Federal para prestar esclarecimentos. Rapidamente, várias páginas e blogs divulgaram que ele havia sido preso. Uma fake news vinda justamente do grupo que tenta imputar crimes de milícia digital e propagação de notícias falsas a aliados do ex-prefeito.

O montante dos valores divulgados não foi encontrado em um único endereço, mas corresponde à soma de valores localizados em todas as buscas realizadas, o que altera completamente a interpretação da informação.

A cobertura enviesada da operação seria, para muitos, uma prova de que se acusa exatamente aquilo que também estaria sendo praticado, com a finalidade de prejudicar o Dr. Furlan e todos que permanecem ao seu lado.

É importante notar que o ex-prefeito continua liderando pesquisas, mesmo diante de um cenário em que, segundo seus apoiadores, o grupo aliado ao governador Clécio teria tentado lhe tirar tudo, inclusive sua liberdade.

Como exemplo, o irmão de Davi Alcolumbre publicou em suas redes sociais, em janeiro deste ano, a seguinte frase: “A batata do Furlan está assando só na manha. Governador Clécio reeleito em 2026. Furlan sem mandato e preso”.

Para contextualizar, Alberto Alcolumbre foi conselheiro da AMPREV na época do aporte de R$ 400 milhões no Banco Master, além de já ter sido citado em episódio envolvendo apreensão de R$ 500 mil em espécie em um veículo em São Paulo.

Diante disso, surgem questionamentos: por que tanta certeza sobre a derrota política e a prisão de Dr. Furlan, se ele sequer responde a processos? Como afirmar com convicção que Clécio vencerá as eleições, mesmo enfrentando alta rejeição e dificuldades nas pesquisas?

São perguntas que parte da população do Amapá acredita ter o direito de ver respondidas, pois esse tipo de condução política e judicial não combina com o Estado Democrático de Direito.

Outra coincidência apontada por opositores é que, mesmo diante de diversos motivos alegados para investigação do governador Clécio Luís, até agora não houve operação semelhante. Vários escândalos foram denunciados pelo único deputado de oposição na ALAP, R. Nelson, envolvendo desde o rombo da AMPREV até denúncias sobre atas falsas, contratações milionárias consideradas irregulares e contratos suspeitos com terceirizadas da saúde, como a empresa Saúde Link.

São recursos públicos também. Então por que R$ 25 milhões pagos dentro de um orçamento de cinco anos, de forma lícita e por serviços prestados, geraram tamanho estardalhaço, enquanto denúncias envolvendo valores muito superiores ainda não resultaram em operações da Polícia Federal?

O senador Lucas Barreto usou a tribuna para alertar que investigações existem para apurar fatos, esclarecer circunstâncias e identificar eventuais responsabilidades. Investigação não significa condenação antecipada.

Segundo ele, não se pode criminalizar a atividade jornalística nem impedir que jornalistas, comunicadores, blogueiros e profissionais da imprensa exerçam seu papel essencial em uma sociedade democrática.

O parlamentar também criticou a situação da saúde estadual e pediu que as investigações alcancem todos os lados, para não transmitir sensação de seletividade.

“A cidade está doente, endividada, e o governo aplicou R$ 400 milhões no Banco Master. Se a preocupação é dinheiro público aplicado em publicidade, por que a investigação não pode ser ampla? Por que não alcançar todos os lados? Sou contra a seletividade, contra dois pesos e duas medidas. O prefeitão lidera as pesquisas e sofre perseguição diária, diante de uma estrutura muito mais organizada e robusta atuando permanentemente para desgastar sua imagem”, declarou.

Na ocasião, o senador pediu ampliação das apurações para demonstrar de forma inequívoca que não existe lado protegido quando o assunto é dinheiro público.

“O que a sociedade quer não é perseguição. É justiça para todos”, finalizou.

Também é importante frisar que os processos movidos para tornar o Dr. Furlan inelegível foram arquivados por insuficiência de provas, rejeitando acusações de uso de poder político e econômico para fins eleitorais.

O que os políticos tradicionais ainda não entenderam — ou não querem entender — é que a adesão popular ao Dr. Furlan é real, resultado de um trabalho contínuo, de domingo a domingo, marcado por entrega, presença, escuta ativa e atuação diligente.

Se fazer isso é crime, então Dr. Furlan seria o maior dos criminosos. Mas muitos acreditam justamente no oposto: que esse modelo de gestão representa aquilo que o povo sempre sonhou e sequer imaginava ser possível.

É isso que se vê nas ruas e nas redes sociais. E ninguém precisa receber dinheiro para reconhecer ou publicar isso, da mesma forma que ninguém precisa ganhar nada para reclamar das falhas do governo Clécio Luís, que, segundo críticos, em vez de melhorar, prefere perseguir e processar.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

 

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