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 clecio davi

Agora, Clécio tem dono, de papel passado e tudo. Uma guinada que não deve agradar seus antigos aliados de esquerda.

Na política, poucas coisas são tão vergonhosas quanto a falta de personalidade. Desde 2022, quando venceu as eleições após costurar um acordo cujo tamanho real ninguém conhece, Clécio nunca conseguiu se encontrar como governador — e agora parece ter se perdido de vez como político. Caiu no colo do centrão ou foi empurrado? Pouco importa. O fato é que agora terá de lidar com críticas justificadas de antigos aliados da esquerda e extrema esquerda, campo onde militou confortavelmente por décadas.

Sua trajetória partidária escancara essa instabilidade: filiado ao PT desde 1989, migrou para o PSOL em 2005, saiu em 2015 para a Rede Sustentabilidade e deixou o partido em 2020 por divergências quanto ao apoio a Josiel Alcolumbre. Filiou-se então ao Solidariedade e venceu a eleição ao governo. Agora, consuma a filiação ao União Brasil, de Davi Alcolumbre, selando definitivamente sua guinada ideológica.

Essa falta de identidade política, já evidente, se torna ainda mais explícita com sua submissão ao grupo que realmente manda. Tudo indica que Clécio vendeu sua autonomia na negociação que previa eleger Josiel — acordo que fracassou, mas cujos compromissos permaneceram. Desde então, ocupa o cargo, mas governa pouco. Sua equipe é uma colcha de retalhos, os poderes foram fatiados e a liderança, enfraquecida.

O governador age mais como fantoche de Alcolumbre do que como chefe do Executivo. Sem rumo, ora imita Furlan, ora aposta em um marketing que não convence. Enquanto isso, acumulam-se obras atrasadas, poucas entregas e graves problemas fiscais, denunciados inclusive pelo único parlamentar que exerce efetivamente o papel de fiscalizar o governo: o deputado estadual R. Nelson.

Quando parece que nada mais surpreende, um esquerdista de nascença abandona o próprio ninho por conveniência política, perde a pouca identidade que tinha e se abraça a um dos parlamentares mais rejeitados do país. Resta saber como ficará sua relação com o antigo aliado Randolfe — assunto para os próximos capítulos.

Enquanto isso, Furlan segue avançando com estilo próprio, personalidade definida e projetos concretos, construindo um presente para a capital e apontando um futuro para o Estado. Clécio, ao contrário, representa um passado que a população deseja esquecer: perde-se no governo, na política e na ideologia, demonstrando pouca autonomia e uma liderança fraca, artificial e fabricada por quem realmente comanda.

Adriana Garcia

Jornalista na Amazônia

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